Cruyff, o inesquecível camisa 14

 Cruyff, o inesquecível camisa 14

Já parou para se perguntar o porquê de Johan Cruyff ter imortalizado a camisa 14? Ao contrário de demais craques que vestiram a 10, o holandês é lembrado até hoje não somente pela sua habilidade, inteligência e títulos, mas também pelo número excêntrico que levava nas costas.

Em todo e qualquer lugar onde o futebol é sagrado, às vezes até tido como religião, há uma grande admiração e veneração pela figura do craque, do gênio, do camisa 10. E isso é algo histórico. Podemos citar como exemplos, Puskás; Pelé; Maradona; Zico; Platini; Messi; entre outros.

Também chamados de mezzapuntas, enganches ou trequartistas, são os gênios do futebol. Jogando nos três quartos finais do campo, devem ser dotados de uma capacidade inventiva que transcenda a organização dos jogadores adversários. Mais que isso, devem criar e devem pensar.

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E assim sendo, não poderíamos imaginar outro jogador que incorporasse tão bem essas características e genialidade, dentro e fora de campo, que não Johan Cruyff. Para muitos, o maior revolucionador da história do futebol. Líder da imponente Laranja Mecânica enquanto jogador e também mente por detrás da filosofia de jogo do Barcelona, primeiro como técnico, depois como ídolo. Então, tendo em vista todos esses pontos, por que ele não figurou como um clássico camisa 10? A resposta, na verdade, é que apesar de jogar como um dez, era muito mais que isso.

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Bom salientar, antes de tudo, que nem ao longo de toda sua carreira Cruyff usou o número 14, bem como não foi o único a utilizar essa numeração ao longo da história. A questão maior na realidade, é a simbologia que isso trouxe para o mundo do futebol. Se tornou uma marca de boêmia, de singularidade como nenhum outro, e também uma forma de pensar o jogo. Alguns dizem que ele usava esse número pois sua vida era guiada por 14 princípios. Outros afirmam que ele não queria cair em nenhum modelo tradicional, pré-determinado.

Além disso, há outra visão, essa mais romântica, a qual sugeria que como ele não era somente um 10 criador, somou mais quatro, de forma a homenagear os demais que utilizavam essa camisa, geralmente taxados como jogadores defensivos. E assim, ele buscaria reconhecê-los, se esforçando, trabalhando para equipe, voltando para marcar, jogando em mais de uma posição. Essa, não coincidentemente, é a teoria por detrás do famoso Futebol Total, praticado pelo carrossel holandês. Todos devem se ajudar, jogarem outras posições, executarem outras funções e pensarem.

Eu acredito que todos deveriam ser capazes de jogar em todas as posições do campo. O ponta esquerda não pode dormir quando o treinador fala sobre o lateral-direito.

Johan Cruyff

A resposta que explica o porquê do número 14, porém, é muito mais simples do que parece e foi esclarecida em 2019, por pessoas próximas a ele. Entretanto, independente disso, penso que vale-se valorizar o futebol pelo seu lado romântico e poético e por isso, ainda que as respostas anteriores não representem o gabarito da questão, são formas de nos fazermos pensar e olhar para as coisas sob uma ótica mais crítica e bela. O futebol, lembremos, é uma construção humana, artística e cultural, e que acima de tudo, nos traz mais dúvidas que certezas.

Resposta da família sobre o, não mais mistério, da camisa 14: No dia 30 de outubro de 1970, Cruyff voltava a jogar após um longo período afastado. Seu número usual, o nove, tinha sido dado a Gerrie Mühren, que fez questão de seguir com a numeração. Desse modo, Johan optou pela camisa 14. Naquele dia, o Ajax venceu o clássico holandês contra o PSV por 1 a 0, e então, por superstição, o jogador quis seguir usando esse número.

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– Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há.

João Stec

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