Memphis Depay entra para salvar a Holanda de um vexame em Luxemburgo

Luxemburgo 1 - 3 Holanda
13 nov 2016 - 15:00Stade Josy Barthel

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Nesse domingo, a Holanda entrou em campo para realizar seu último jogo no ano de 2016. O time comandado por Danny Blind foi até o estádio Josy Barthel, em Luxemburgo para enfrentar a seleção da casa. A falta de vontade de acompanhar a partida por parte dos torcedores e da mídia holandesa, que a maioria do povo holandês voltou as atenções para o Brasil, aonde aconteceu o Grande Prêmio de Fórmula 1, e com isso, os holandeses viram Max Verstappen arrancar uma terceira colocação na corrida e ser eleito o melhor piloto dessa corrida.

Voltando ao estádio Josy Barthel, a Holanda conseguiu uma importante vitória diante de Luxemburgo por 3×1, e voltou a assumir a segunda colocação do grupo A das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Essa vitória, não enganou nenhum torcedor holandês, até aquele que saiu da Holanda e percorreu 337 km para ver a seleção em campo mais uma vez. O torcedor que teve essa coragem de sair de casa e ir ver o time Laranja em campo, ficou muito próximo de presenciar um vexame histórico, perder para o time de Luxemburgo. Esse vexame fiquei percorrendo a seleção durante os primeiros minutos de jogo.

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A Holanda não conseguia dominar a seleção da casa, mas levava perigo em algumas situações do jogo, como por exemplo, aos 10 minutos de jogo, quando Arjen Robben chutou e Ralph Schon praticou uma bela defesa, mas acabou dando rebote e a bola foi para Wesley Sneijder, o camisa 10 dominou e rolou para Davy Klaassen que finalizou em cima da defesa de Luxemburgo. Os outros jogadores tentavam ajudar Arjen Robben nas jogadas ofensivas, um exemplo disso foi quando Georginio Wijnaldum finalizou e Ralph Schon defendeu.

Como já é uma marca registrada de Danny Blind, novamente a Holanda demostrava uma desorganização enorme dentro das quatro linhas, os espaços entre defesa, meio de campo e ataque eram grandes demais, e isso fazia com que a articulação de jogadas ficasse bastante comprometida. Mas, na base da qualidade individual, o time de Robben e companhia conseguia levar perigo ao gol defendido por Ralph Schon. O problema, é que quando a Holanda atacava, proporcionava um contra-ataque, muito por falta de um volante de contenção que passasse segurança para a defesa, então em vários momentos a dupla Virgil van Dijk e Jeffrey Bruma ficavam frente a frente com os atacantes de Luxemburgo, mas a sorte era que os defensores estavam numa tarde/noite abençoada.

Aos 36 minutos, o gol que mostrou o tamanho da importância que Arjen Robben ainda tem nessa seleção. Georginio Wijnaldum lançou em profundidade para Davy Klaassen, que dominou e tocou para Arjen Robben, o camisa 11 holandês, invadiu a grande área e chutou com calma no canto direito de Ralph Schon. Com esse gol, Robben chegou ao seu quarto gol nos últimos cinco jogos com a camisa da seleção.

Tantos problemas no meio de campo ficavam claros a cada minuto que passava, e isso fez com que a defesa ficasse sempre sobrecarregada, com isso, o erro acabou acontecendo, principalmente porque David Turpel e Daniël Da Mota estavam bem na partida, deixando o trabalho dos dois zagueiros holandeses mais difícil. Aos 44 minutos, Joshua Brenet derrubou dentro da grande área Daniël Da Mota. Anthony Taylor marcou penalidade máxima para os donos da casa, Maxime Chanot bateu e deixou tudo igual. A última vez que Luxemburgo tinha marcado um gol na Holanda, foi há 53 anos atrás, na Euro de 1964.

O juiz apitou o final do primeiro tempo, e Danny Blind tinha em mente que voltar para a Holanda com um empate contra Luxemburgo, poderia ser a gota d’água para sua demissão, então, para buscar a vitória, ele acabou mexendo no time, tirou Wesley Sneijder e Arjen Robben para dá lugar a Memphis Depay e Steven Berghuis.

Se todos já duvidavam que estava complicada vencer os donos da casa com suas principais peças em campo, imagina agora sem Robben e Sneijder? Mas Depay e Berghuis deram conta do recado.

Vale lembrar que Robben saiu por motivo de ter sentido leves dores na coxa.

“Eu senti cãibras na parte posterior da coxa. No intervalo, olhamos, não parecia grave, e eu obviamente queria continuar, mas o médico não quis correr riscos. Até porque o gramado estava uma vergonha”

Por outro lado, Wesley Sneijder acabou saindo por opção tática, até porque durante o primeiro tempo todo, ele não conseguiu render como ponta-esquerda, então Blind preferiu tirar o camisa 10 e dá lugar para Memphis Depay, que foi criticado assim que fez a substituição, mas ao final do jogo, acho que poderemos dizer que essa vitória teve o dedo dele.

“Eu ficaria entre as linhas, mas nem linhas havia. Aí eu fiquei de ponta esquerda, e ponta esquerda eu não sou. Estava bem, não teve nada a ver com lesão. Fiquei meio chateado, mas tomei banho, me vesti e fui para o banco. E conseguimos o que viemos conseguir. Levamos os três pontos, e isso é o mais importante”

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A partida contra Luxemburgo, pode ter sido tudo que Memphis Depay precisava para voltar aos seus tempos de glórias, isso porque ele marcou o segundo gol da Holanda na partida e também o terceiro. Com uma atuação impecável, um jogador que os torcedores e a imprensa holandesa esperam muito, na Holanda, se fala que ele poderá ser o craque da próxima geração de jogadores, mas para que isso aconteça, ele precisa se firmar no Manchester United, para que com isso ele venha a ter mais chances na seleção de Blind.

Danny Blind exaltou demais Memphis Depay após o jogo:

“Para mim, não foi surpresa nenhuma a boa atuação dele. Ele deu uma impressão de estar determinado. É uma ótima recompensa para ele”

Memphis Depay também falou que quer voltar a ser o jogador que foi no PSV:

“Desde meu primeiro toque na bola, me senti bem. Eu ainda consigo. É um sentimento maravilhoso”

Ao final do jogo, Arjen Robben foi bastante realista sobre a situação da Holanda:

“Precisamos ser realistas: a seleção não está mais alcançando o nível com que nos acostumamos. Temos um problema de qualidade pelas pontas. O gramado não prestava, mas às vezes [nosso jogo] era horrível. Não estamos bem em muita coisa. Cometemos muitos erros com a posse de bola. Estou feliz com os três pontos, mas precisamos ser realistas. Não posso dizer que jogamos bem. Dá para melhorar, precisa melhorar”

Se por outro lado, todos estavam desapontados com o péssimo nível de atuação que o time holandês vem demostrando nas últimas partidas, principalmente sob o comando de Danny Blind, o treinador preferiu exaltar o desempenho do adversário que a Holanda teve nessa quarta rodada.

“É a melhor geração da história de Luxemburgo. Eles perderam só de 1 a 0 para a Suécia, conseguiram um ponto em Belarus, e a Bulgária precisou fazer 4 a 3. Não se pode fechar os olhos para a realidade”

É verdade: não se pode fechar os olhos para a realidade, mesmo. Foi por muito pouco que a Holanda não passou por um vexame até pior do que ficar fora da Euro 2016.

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